A NWSL quase enfrentou a perda de uma das suas maiores estrelas, Trinity Rodman. A jovem atleta, reconhecida como uma das principais figuras do futebol feminino nos Estados Unidos, estava sendo cortejada por times europeus, enquanto a liga se dava conta, tardiamente, de que o teto salarial não era suficiente para manter seu principal ícone.
A solução veio rapidamente, batizada de ‘Norma Rodman‘, um novo regulamento que permite às equipes ultrapassarem o limite salarial em situações específicas. Este movimento emergencial lembra a ‘Norma Beckham’, que na época ajudou a MLS com a contratação de David Beckham.
A pressão aumentou após meses de negociações estagnadas e frustração tanto para Rodman quanto para o Washington Spirit, sua equipe. Com propostas milionárias vindo do exterior, a NWSL percebeu que estava à beira de uma crise.
Com apenas 23 anos, Rodman se tornava uma jogadora livre em 31 de dezembro, após o término do seu contrato. No entanto, o Spirit não conseguia oferecer um salário que se alinhava à sua relevância, já que o teto salarial para 2026 na liga estava fixado em 3,5 milhões de dólares para todo o elenco. A proprietária do clube, Michele Kang, com uma forte capacidade financeira, se via limitada.
Se Rodman deixasse a liga, seria um golpe severo, especialmente em uma temporada em que já havia perdido outras estrelas, como Alyssa Thompson e Naomi Girma, para o Chelsea. A retenção de ‘Tri’ deixou de ser apenas uma questão esportiva para se tornar crucial para a saúde da liga.
Então, pouco antes do Ano Novo, a NWSL anunciou a ‘High Impact Player Rule‘, permitindo que os clubes superem o teto salarial em até um milhão de dólares para um restrito grupo de jogadoras de alta importância. Essa norma se baseia em critérios esportivos e comerciais, incluindo estar entre as 30 melhores do Balão de Ouro e ser uma das 11 jogadoras com mais minutos na seleção dos EUA.
Rodman atendeu a sete dos oito critérios, exceto o que é dedicado a goleiros, revelando-se um encaixe perfeito para a nova regra. Graças a essa exceção, o Washington Spirit, sob a direção do espanhol Adrián González, conseguiu fazer uma oferta viável. Recentemente, o clube fechou um contrato de três anos com um salário próximo a dois milhões de dólares anuais, tornando Rodman a primeira jogadora a se beneficiar desse mecanismo inovador.
Seu agente, Mike Senkowski, da Upper 90 Sports Group, anunciou que Rodman se tornava a atleta feminina mais bem paga do mundo. Embora não esteja claro se seu contrato supera o de Aitana Bonmatí com o FC Barcelona, o recado foi dado.
Michele Kang, uma das figuras mais influentes do futebol feminino, também dona do OL Lyon e do London City Lionesses, afirmou: “Trinity é uma jogadora de valor inigualável e, mais importante, representa o futuro deste clube e do futebol feminino.”
“Este acordo reflete nosso compromisso de que talentos excepcionais merecem um investimento à altura. No Spirit, estamos construindo um legado duradouro, um clube que competirá por campeonatos a cada temporada, investindo em excelência e criando um ambiente onde jogadoras de classe mundial possam prosperar”, acrescentou.
A ‘Norma Rodman’ ecoa a ‘Norma Beckham’, estabelecida pela MLS em 2007 para facilitar a chegada de Beckham ao Los Angeles Galaxy. Esta regra permite que os clubes tenham até três jogadores fora do teto salarial para competir em um mercado global. A norma se mantém e foi recentemente utilizada pelo próprio Beckham, agora co-proprietário do Inter Miami, para atrair estrelas como Lionel Messi, Jordi Alba e Sergio Busquets. A NWSL, com sua nova norma, agora possui uma solução à vista, tendo Trinity Rodman como protagonista.




