No último mês de junho, a cidade de Járkiv, localizada na região leste da Ucrânia, enfrentou um dos ataques mais devastadores desde o início do conflito. A aproximadamente 30 quilômetros da linha de frente das intensas batalhas, a cidade foi abalada por pelo menos 40 explosões. Os ataques da Rússia contra a segunda maior cidade do país foram considerados uma represália a uma ousada operação com drones de Kyiv, que prejudicou mais de um terço dos sistemas de mísseis de cruzeiro de Moscovo. Este foi apenas mais um capítulo do sofrimento da população civil desde que, em fevereiro de 2022, a Rússia decidiu anexionar partes do território ucraniano.
Redentor do Metalist Járkiv
Nesse cenário conturbado, Hennadii Synchuk, um jovem de apenas 16 anos e natural de Manchenky, na província de Járkiv, viu sua vida mudar drasticamente com o início da chamada ‘Operação Militar Especial’ em Ucrânia. Promessa nas categorias de base do Metalist Járkiv, suas habilidades impressionantes o levaram a fazer sua estreia no time principal em 3 de maio de 2023, jogando contra o Dnipro-1 na primeira divisão ucraniana. Desde então, foi convocado para várias seleções sub-17 a sub-23.
Após um desempenho notável em um torneio recente contra a Coreia do Sul, Synchuk se destacou como uma das grandes promessas do futebol ucraniano. Em janeiro, o jogador assinar com o CF Montréal da MLS foi um marco: com um valor de transferência de 5 milhões de euros, ele se tornou a venda mais cara da história para um atleta ucraniano com menos de 20 anos. No campo, ele se transforma em um atacante ágil e criativo, conhecido por sua capacidade de criar jogadas e marcar gols. Esse movimento foi vital para resgatar o Metalist Járkiv da falência. Desde o início da temporada, já disputou 13 partidas, sendo 9 como titular, e contribuiu com uma assistência. Contudo, a saudade de casa, de seus amigos e familiares persiste.
Pano de Fundo Resiliente
Continuar jogando futebol em meio ao estresse das bombardeios diários nas vizinhanças de sua infância não é tarefa fácil. A história de Synchuk reflete a resiliência de uma nação. Desde pequeno, seu pai o levava até Járkiv para os treinos, uma viagem de cerca de meia hora. Durante esse tempo, ele enfrentou críticas de técnicos que não compreendiam o peso da situação que viveu, como muitos outros jovens que defendem a seleção ucraniana atualmente no Mundial sub-20, que acontece no Chile desde 27 de setembro.
No torneio, a equipe, que contava com Kristian Shevchenko, filho do renomado jogador Andriy Shevchenko, e os atacantes Matviy Ponomarenko e Oleksandr Pyshchur, avançou como líder do Grupo B, competindo contra Paraguai, Panamá e Coreia do Sul. Apesar de suas vitórias e um empate que garantiu a classificação, foram eliminados nas oitavas de final por Espanha (0-1). Curiosamente, Synchuk perdeu a oportunidade de jogar nas oitavas, sendo retirado da convocação pela FIFA algumas horas antes da partida, após ser punido no jogo anterior.
Com o campeonato em andamento e apenas um jogo restante, Montreal não conseguiu avançar para os playoffs. Contudo, Synchuk, com contrato até 2028 e um promissor futuro pela frente, está pronto para deixar sua marca na história.




