Na última segunda-feira, Cristiano Ronaldo decidiu romper o silêncio e não se apresentou para jogar pelo Al Nassr, clube que lhe oferece um salário exorbitante. Sua recusa decorre de um sentimento de que o tratamento que recebe em comparação ao Al Hilal, seu rival direto, é desproporcional. Ambos os clubes são administrados pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, que tem sido responsável por atrair grandes estrelas para o futebol local. Cristiano se ausentou dos últimos dois jogos, um gesto que evidencia seu desejo inabalável por reconhecimento e sucesso, mesmo com o passar dos anos. Essa postura revela que, em ligas incentivadas financeiramente, os jogadores acabam se colocando acima do próprio esporte.
Casos de descontentamento podem ser vistos em Europa – como na situação de Messi com o Barcelona – mas são considerados raros. Por outro lado, no Oriente Médio e na MLS, esses conflitos são comuns. Os atletas recebem salários que desafiam o mercado, algo irresistível para muitos, exceto alguns raros como Modric. No entanto, ao se trasladarem para essas ligas, confrontam uma realidade com padrões muito diferentes do que estavam acostumados ao longo de suas carreiras: menos torcedores, infraestrutura inferior e uma menor importância atribuída aos seus feitos. Assim, chega-se a um ponto em que os atletas, dotados de um poder mal interpretado, se sentem acima de seus clubes, levando-os até mesmo a influenciar as decisões administrativas das equipes.
Outras Notícias
Benzema ficou fora de circulação por cinco dias após um desentendimento com seu técnico, Marcelo Gallardo, que acabou demitido por “decisões contestáveis” relacionadas ao jogador francês. Laporte quase se declarou em rebeldia para deixar o Al Nassr. Rúben Neves flirtou com o Madrid e o United neste inverno. Jogadores habituados à intensidade da alta competição frequentemente se cansam rapidamente de um ambiente financeiramente favorável. O mesmo cenário se observa na MLS, onde o Inter Miami conseguiu uma vaga no Mundial de Clubes somente por haver terminado em primeiro na liga regular, ignorando o campeão anterior e o posterior. Assim, vemos que, cada vez mais, os jogadores parecem ter mais importância que o próprio futebol.
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