No mês de junho, a cidade de Járkiv, localizada no leste da Ucrânia, foi alvo de um dos ataques mais devastadores desde o início do conflito. A cerca de 30 quilômetros das intensas batalhas, a cidade enfrentou ao menos 40 explosões. As forças armadas da Rússia realizaram ataques massivos contra a segunda maior cidade do país, como retaliação a uma ousada operação de drones de Kiev, que havia reduzido a eficácia de mais de um terço dos mísseis de cruzeiro estratégicos de Moscou. Esse é apenas mais um capítulo das dificuldades enfrentadas pela população civil desde que, em fevereiro de 2022, a Rússia decidiu anexar partes do território ucraniano.
O Salvo do Metalist Járkiv
Hennadii Synchuk, nascido em Manchenky, na província de Járkiv em 10 de julho de 2006, tinha apenas 16 anos quando a ‘Operação Militar Especial’ foi lançada pelo Kremlin contra a Ucrânia. Em ascensão nas categorias de base do Metalist Járkiv, o jovem talento demonstrava tanto potencial que foi convocado para treinar com o time principal. Fez sua estreia no dia 3 de maio de 2023, enfrentando o Dnipro-1 na primeira divisão ucraniana, e logo se destacou na seleção sub-17, passando depois pelas sub-19, sub-20, sub-21 e sub-23.
Em janeiro, já considerado uma das promessas do futebol ucraniano, o meio-campista, que é frequentemente comparado a Robben e Yarmolenko, assinou contrato com o CF Montréal da MLS por uma transferência de 5 milhões de euros, estabelecendo um novo recorde para um jogador ucraniano com menos de 20 anos. No campo, destaca-se como um extremo dinâmico e criativo, com uma técnica refinada em seu pé esquerdo, capaz de cortar para dentro e criar oportunidades de gol. Essa transferência foi crucial não apenas para sua carreira pessoal, mas também ajudou a salvar o Metalist Kharkiv da falência. Desde o início da temporada em fevereiro, jogou 13 partidas, das quais 9 como titular, e contribuiu com uma assistência. No entanto, sua nova vida o afastou de amigos e familiares.
Um Exemplo de Resiliência
Manter a carreira no futebol em meio a ataques incessantes nas áreas onde cresceu, não é tarefa fácil. A trajetória de Synchuk representa a resiliência de uma nação. Seu pai sempre o levava para treinar em Járkiv, a cerca de meia hora de casa. Alguns treinadores levantaram questões sobre sua determinação, afirmando que às vezes ele parecia desanimado. Essas dúvidas, no entanto, não reflete o que muitos jovens da seleção ucraniana enfrentam atualmente, lutando para representar seu país no Mundial sub-20 que está ocorrendo no Chile desde 27 de setembro.
Com uma equipe que inclui o filho de Andriy Shevchenko, Kristian, e os atacantes Matviy Ponomarenko e Oleksandr Pyshchur, a Ucrânia conseguiu se classificar como primeira do grupo B, que incluía Paraguai, Panamá e Coreia do Sul, acumulando duas vitórias e um empate. Contudo, foram eliminados nas oitavas de final ao perder para Espanha por 1 a 0, um jogo em que Hennadii não participou, após ser retirado da convocação pela FIFA devido a uma suspensão referente ao jogo anterior contra Paraguai.
Agora, de volta a Montreal, a equipe canadense está prestes a concluir a temporada, sem chances de classificação para os playoffs. Apesar disso, Synchuk, com um contrato até 2028 e um grande futuro pela frente, está destinado a fazer história no futebol.




